[...]
Lyotard trabalha principalmente com as relações entre a ideologia e a produção
do conhecimento científico, num momento em que se encontram abaladas a
estruturas de plausibilidade de um conjunto consagrado de metanarrativas,
apresentando como um dos ganhos da reestruturação do campo intelectual a
diminuição da ideologização do saber institucionalizado. Nosso questionamento
se dirige ao fato de que é preciso avaliar a medida em que sua própria reflexão
sobre o tema pode ser considerada livre da produção de uma visão ideológica a
respeito do assunto, já que ele termina trabalhando para o fim de
metanarrativas específicas, instaurando, quem sabe, uma muito mais poderosa,
principalmente pelo fato de pressupor o consenso, ou o status de pensamento “único”. [2]
Baudrillard,
por sua vez, elabora sua contribuição a partir da crítica do conceito de uma
certa corrente marxista, que define a ideologia enquanto reflexo
superestrutural invertido da esfera da produção, na medida em que a esfera
cultural, antes determinada, passa a ser autônoma e determinante, a ponto de
ser possível falar no triunfo da cultura da representação, mas não mais em
classes, poder, normatividade e outros conceitos que pertencem à etapa anterior
do sistema capitalista. Nossa avaliação dessa contribuição é no sentido de que
ela é muito menos radicalmente uma revisão da visão marxista da ideologia
mencionada do que pode parecer. Usando as mesmas ferramentas do próprio autor,
é possível, inclusive, encontrar exemplos de como as relações entre o real e o
virtual são construídas nas sociedades contemporâneas sim, via representações
midiáticas, mas sempre com referência aos dois eixos fundamentais de grande
parte da produção teórica de inspiração marxista a “respeito de ideologia, a
saber: a questão dos interesses de classes e grupos sociais e a idéia de
construção do real nas direções convenientes aos que querem manter posições de
poder ou lutam para ocupá-las.[3]
Signo é uma coisa que representa
uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse
poder de representar, substituir uma outra coisa diferente dele.[10]
Em relação à definição de signo SANTAELLA cita novamente PEIRCE:
"Defino um Signo como
qualquer coisa que, de um lado, é assim determinada por um Objeto e, de outro,
assim determina uma idéia na mente de uma pessoa, esta última determinação, que
denomino o Interpretante do signo,
é, desse modo, mediatamente determinada por aquele Objeto. Um signo, assim, tem
uma relação triádica com seu Objeto e com seu Interpretante (8.343)."[11]
[1] Lemuel Dourado Guerra O CONCEITO DE IDEOLOGIA E A PÓS-MODERNIDADE, Política & Trabalho 16 - Setembro / 2000 - pp.
55-63 <> ACESSO EM 29.05.10 http://www.cchla.ufpb.br/ppgs/politica/16-guerra.html
[2] Ibidem
62
[3] Ibidem
62
[4] Ibidem
62
[5] Na
técnica jurídica trata-se de permissionários regidos por leis específicas.
Ocorre que a realidade costumeira em muitas cidades do Brasil transforma o
ponto de taxi ou “placa” em um ativo que acaba sendo negociado com contratos
informais “de gaveta” de compra e venda comuns, onde o nome de um
permissionário é passado para outro segundo leis muitas vezes municipais
mediante o pagamento de uma quantia compactuada. Não é uma propriedade no
sentido amplo e nem jurídico, mas na prática e nos costumes acaba sendo uma
espécie de bem passível de mensuração econômica e não deixa de ser um posto de
trabalho. Trataremos nesta obra para fins apenas comparativos como se fosse uma
propriedade apenas para exemplificar e facilitar o entendimento da teoria sem
julgar o mérito se esta prática costumeira é correta ou não.
[6]
Entendemos o capitalismo trabalhista como um sistema de centro, mais
equilibrado que respeita o equilíbrio entre o capital e o trabalho, o público e
o privado, a liberdade e a igualdade, tendo como ideal a propriedade privada do
emprego (ou posto de trabalho) pelo trabalhador e o equilíbrio das relações
antagônicas sem a supressão ou destruição de um pólo pelo outro.
[7] Há
na literatura várias divergências sobre o sentido de classes sociais, mas a
adotada aqui é mais restrita ao sentido profissional do termo, não no sentido
econômico (divisão por renda) e nem no sentido sociológico.
[8] Emancipação
aqui é entendida no sentido marxista do termo, de maior conscientização e
mobilização coletiva no sentido de conquista de um objetivo ainda não
alcançado.
[9] Vide a
nota de rodapé 85 sobre as expressões utilizadas ao se referir aos taxistas
“proprietários”.
[12] O
signo semiótico sugerido pelo autor representa o capitalismo trabalhista como
ideologia. O triangulo laranja representa as diferenças sociais e as diferentes
classes sociais. Dentro do triangulo há a foice e o martelo que representa os
trabalhadores, mas, de forma reta estabilizada ao centro junto com o cifrão “$”
que representa o capital centralizado e uma cruz de lados iguais representando
o equilíbrio entre o capital e o trabalho e também representando o capitalismo
trabalhista como uma possível quarta geração de capitalismo. O triangulo verde
menor ao centro representa as políticas de centro assim como as do partido
verde atual exemplo de ideologia centrista. A cor sugerida é a laranja, mais
branda que a vermelha comunista.






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