Antes
de propormos uma possível alternativa futura para o atual capitalismo
desorganizado, utilizamos a tese defendida por BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS para
compreender como estaria estruturada a sociedade e as relações sociais das
sociedades capitalistas que integram o sistema mundial atualmente para que a
proposta fosse mais bem estruturada.
SANTOS
defende ainda que há uma pluralidade de poderes nas quais chama de constelação
de poderes que interferem diretamente na produção do poder do direito e do
conhecimento. Faz também uma crítica a FOUCAULT no sentido do que o poder seria
na verdade uma constelação de poderes e não um poder mais simples como sugere
FOUCAULT.
Essas
dimensões ou espaços estruturais seriam o espaço doméstico, espaço da produção,
espaço do mercado, espaço da comunidade, espaço da cidadania e o espaço
mundial.
Segundo
a própria definição de SANTOS essas dimensões seriam ao iniciar pelo doméstico:
O espaço doméstico
é o conjunto de relações sociais de produção e reprodução da domesticidade e do
parentesco, entre marido e mulher (ou quaisquer parceiros em relação de
conjugalidade), entre cada um deles e os filhos e entre uns e outros e os
parentes.[1]
Em
relação ao segundo o da produção seria:
O espaço da produção
é o conjunto de relações sociais desenvolvidas em torno da produção de valores
de troca e económicos e de processos de trabalho, de relações de produção em
sentido amplo (entre os produtores directos e os que se apropriam da
mais-valia, e entre ambos e a natureza) e de relações na produção (entre trabalhadores e gestores, e entre os próprios
trabalhadores).[2]
Esse
espaço é interessante para o capitalismo trabalhista em especial, pois, é nessa
dimensão de relações sociais que mais se alteraria com a propriedade do
emprego, pois, modificaria em muito o atual modelo de poder dessas relações.
O
terceiro espaço, dimensão ou estrutura das relações sociais seria o do mercado
descrito por SANTOS:
O espaço do mercado é
o conjunto de relações sociais de distribuição e consumo de valores de troca
através das quais se produz e reproduz a mercadorização das necessidades e dos
meios de as satisfazer.[3]
O
próximo seria o da comunidade:
O espaço da comunidade
é constituído pelas relações sociais desenvolvidas em torno da produção e
da reprodução de territórios físicos e simbólicos e de identidades e
identificações com referência a origens e destinos comuns.[4]
O
outro seria o da cidadania:
O espaço da cidadania é
o conjunto de relações sociais que constituem a “esfera pública” e, em
particular, as relações de produção da obrigação política vertical entre os
cidadãos e o Estado.[5]
E
por último o espaço mundial:
O espaço mundial é
a soma total dos efeitos pertinentes internos das relações sociais por meio das
quais se produz e reproduz uma divisão global de trabalho. A conceptualização
do espaço mundial como estrutura interna de uma dada sociedade (nacional ou
local) pretende compatibilizar teoricamente as interações entre as dinâmicas
globais do sistema mundial, por um lado, e as condições, extremamente diversas
e específicas, das sociedades nacionais ou subnacionais que o integram, por
outro. O espaço mundial é, por conseguinte, a matriz organizadora dos efeitos
pertinentes das condições e das hierarquias mundiais sobre os espaços
doméstico, da produção, do mercado, da comunidade e da cidadania de uma
determinada sociedade.[6]
Uma
ideologia nova ou nas palavras de SANTOS um novo paradigma societal deveria
atacar não só um espaço ou uma dimensão do poder, mas, várias ao mesmo tempo:
De modo inverso, o êxito das lutas anti-capitalistas e
anti-sistémicas depende da capacidade que tenham de se organizar em
constelações de práticas sociais emancipatórias, isto é, em constelações de
trocas iguais contra constelações de juridicidades autoritárias, em
constelações de conhecimentos emancipatórios contra constelações de
conhecimentos regulatórios. Para fazer jus a tal programa, as reconstruções
teóricas devem ser muito mais exigentes e inovadoras, e a prática social a que
fazem apelo deverá ser muito mais criativa e complexa (tão consciente dos
limites como das possibilidades), menos dogmática, dada a natureza parcial de
todas as formas relevantes de acção, predisposta a alianças para superar a
incompletude e, por último, epistemologicamente mais tolerante face aos vários
conhecimentos parciais e locais e aos vários sensos comuns nela investidos.[7]
Devido
à conjugação desses vários espaços criarem formas variadas de poder, uma
possível solução como aponta SANTOS deveria ser ampla o bastante para
solucionar boa parte deles e atacar os problemas em suas variadas frentes.
Nesta
tentativa de propor uma nova ideologia dividimos em alguns pontos principais os
principais problemas atuais e possíveis princípios capazes de solucioná-los
tendo em mente a dificuldade de propor uma solução complexa, mas, ao mesmo
tempo dividindo os problemas para uma possível criação de um novo senso comum
emancipatório em várias frentes sociais nos variados espaços já descritos.
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