segunda-feira, 29 de julho de 2013

10.1. AS DIMENSÕES OU ESPAÇOS ESTRUTURAIS DAS SOCIEDADES CAPITALISTAS NO SISTEMA MUNDIAL SEGUNDO A TESE DE BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS.

Antes de propormos uma possível alternativa futura para o atual capitalismo desorganizado, utilizamos a tese defendida por BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS para compreender como estaria estruturada a sociedade e as relações sociais das sociedades capitalistas que integram o sistema mundial atualmente para que a proposta fosse mais bem estruturada.
SANTOS defende ainda que há uma pluralidade de poderes nas quais chama de constelação de poderes que interferem diretamente na produção do poder do direito e do conhecimento. Faz também uma crítica a FOUCAULT no sentido do que o poder seria na verdade uma constelação de poderes e não um poder mais simples como sugere FOUCAULT.
Essas dimensões ou espaços estruturais seriam o espaço doméstico, espaço da produção, espaço do mercado, espaço da comunidade, espaço da cidadania e o espaço mundial.
Segundo a própria definição de SANTOS essas dimensões seriam ao iniciar pelo doméstico:

O espaço doméstico é o conjunto de relações sociais de produção e reprodução da domesticidade e do parentesco, entre marido e mulher (ou quaisquer parceiros em relação de conjugalidade), entre cada um deles e os filhos e entre uns e outros e os parentes.[1]

Em relação ao segundo o da produção seria:

O espaço da produção é o conjunto de relações sociais desenvolvidas em torno da produção de valores de troca e económicos e de processos de trabalho, de relações de produção em sentido amplo (entre os produtores directos e os que se apropriam da mais-valia, e entre ambos e a natureza) e de relações na produção (entre trabalhadores e gestores, e entre os próprios trabalhadores).[2]

Esse espaço é interessante para o capitalismo trabalhista em especial, pois, é nessa dimensão de relações sociais que mais se alteraria com a propriedade do emprego, pois, modificaria em muito o atual modelo de poder dessas relações.
O terceiro espaço, dimensão ou estrutura das relações sociais seria o do mercado descrito por SANTOS:

O espaço do mercado é o conjunto de relações sociais de distribuição e consumo de valores de troca através das quais se produz e reproduz a mercadorização das necessidades e dos meios de as satisfazer.[3]

O próximo seria o da comunidade:

O espaço da comunidade é constituído pelas relações sociais desenvolvidas em torno da produção e da reprodução de territórios físicos e simbólicos e de identidades e identificações com referência a origens e destinos comuns.[4]

O outro seria o da cidadania:

O espaço da cidadania é o conjunto de relações sociais que constituem a “esfera pública” e, em particular, as relações de produção da obrigação política vertical entre os cidadãos e o Estado.[5]

E por último o espaço mundial:

O espaço mundial é a soma total dos efeitos pertinentes internos das relações sociais por meio das quais se produz e reproduz uma divisão global de trabalho. A conceptualização do espaço mundial como estrutura interna de uma dada sociedade (nacional ou local) pretende compatibilizar teoricamente as interações entre as dinâmicas globais do sistema mundial, por um lado, e as condições, extremamente diversas e específicas, das sociedades nacionais ou subnacionais que o integram, por outro. O espaço mundial é, por conseguinte, a matriz organizadora dos efeitos pertinentes das condições e das hierarquias mundiais sobre os espaços doméstico, da produção, do mercado, da comunidade e da cidadania de uma determinada sociedade.[6]

Uma ideologia nova ou nas palavras de SANTOS um novo paradigma societal deveria atacar não só um espaço ou uma dimensão do poder, mas, várias ao mesmo tempo:

De modo inverso, o êxito das lutas anti-capitalistas e anti-sistémicas depende da capacidade que tenham de se organizar em constelações de práticas sociais emancipatórias, isto é, em constelações de trocas iguais contra constelações de juridicidades autoritárias, em constelações de conhecimentos emancipatórios contra constelações de conhecimentos regulatórios. Para fazer jus a tal programa, as reconstruções teóricas devem ser muito mais exigentes e inovadoras, e a prática social a que fazem apelo deverá ser muito mais criativa e complexa (tão consciente dos limites como das possibilidades), menos dogmática, dada a natureza parcial de todas as formas relevantes de acção, predisposta a alianças para superar a incompletude e, por último, epistemologicamente mais tolerante face aos vários conhecimentos parciais e locais e aos vários sensos comuns nela investidos.[7]

Devido à conjugação desses vários espaços criarem formas variadas de poder, uma possível solução como aponta SANTOS deveria ser ampla o bastante para solucionar boa parte deles e atacar os problemas em suas variadas frentes.
Nesta tentativa de propor uma nova ideologia dividimos em alguns pontos principais os principais problemas atuais e possíveis princípios capazes de solucioná-los tendo em mente a dificuldade de propor uma solução complexa, mas, ao mesmo tempo dividindo os problemas para uma possível criação de um novo senso comum emancipatório em várias frentes sociais nos variados espaços já descritos. 



[1] Ibidem 277, 278
[2] Ibidem 278.
[3] Ibidem 278
[4] Ibidem 278
[5] Ibidem 278
[6] Ibidem 278
[7] Ibidem 314

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