Diretriz 2ª: Todo trabalhador tem o direito de se unir e de poder
adquirir o próprio posto de trabalho caso tiver capital e é função do Estado
garantir que a propriedade do trabalhador exista através de Lei e não seja
prejudicada ou desrespeitada;
[...] A produção de idéias,
de representações e da consciência está em primeiro lugar direta e intimamente ligada
à atividade material e ‘ao comércio material dos homens; é a linguagem da vida
real. As representações, o pensamento, o comércio intelectual dos homens surge
aqui como emanação direta do seu comportamento material. O mesmo acontece com a
produção intelectual quando esta se apresenta na linguagem das leis, política,
moral, religião, metafísica, etc., de um povo. São os homens que produzem as suas
representações, as suas idéias, etc. (18), mas os homens reais, atuantes e tais
como foram condicionados por um determinado desenvolvimento das suas forças
produtivas e do modo de relações que lhe corresponde, incluindo até as formas
mais amplas que estas possam tomar A consciência nunca pode ser mais do que o
Ser consciente e o Ser dos homens é o seu processo da vida real. E se em toda a
ideologia os homens e as suas relações nos surgem invertidos, tal como acontece
numa câmera obscura (19) isto é apenas o resultado do seu processo de vida
histórico, do mesmo modo que a imagem invertida dos objetos que se forma na
retina é uma conseqüência do seu processo de vida diretamente físico[1].
Contrariamente
à filosofia alemã, que desce do céu para a terra, aqui parte-se da terra para
atingir o céu. Isto significa que não se parte daquilo que os homens dizem,
imaginam e pensam nem daquilo que são nas palavras, no pensamento na imaginação
e na representação de outrem para chegar aos homens em carne e osso; parte-se
dos homens, da sua atividade real. É a partir do seu processo de vida real que
se representa o desenvolvimento dos reflexos e das repercussões ideológicas
deste processo vital. Mesmo as fantasmagorias correspondem, no cérebro humano,
a sublimações necessariamente resultantes do processo da sua vida material que
pode ser observado empiricamente e que repousa em bases materiais. Assim, a
moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia, tal como as formas
de consciência que lhes correspondem, perdem imediatamente toda a aparência de
autonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; serão antes os homens
que, desenvolvendo a sua produção material e as suas relações materiais,
transformam, com esta realidade que lhes é própria, o seu pensamento e os
produtos desse pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas sim a
vida que determina a consciência. Na primeira forma de considerar este assunto,
parte-se da consciência como sendo o indivíduo vivo, e na segunda, que
corresponde à vida real, parte-se dos próprios indivíduos reais e vivos e
considera-se a consciência unicamente como sua consciência.[2]
[..]
No entanto, estes milhões de proletários têm uma opinião muito diferente sobre
este assunto e demonstrá-la-ão quando chegar o momento, quando puserem na
prática o seu «ser» em harmonia com a sua «essência», através de uma revolução.
É precisamente por isso que, nestes casos, Feuerbach nunca fala do mundo dos
homens e se refugia na natureza exterior, na natureza que o homem ainda não
controlou. Mas cada invenção nova, cada progresso da indústria faz tombar um
pouco esta argumentação e o campo onde nascem os exemplos’ que permitem verificar
as afirmações daquele gênero, diminui cada vez mais. A «essência» do peixe,
para retomar um dos exemplos de Feuerbach, corresponde exatamente ao seu «ser»,
à água, e a «essência» do peixe de rio será a água desse rio. Mas essa água
deixa de ser a sua «essência» e transforma-se num meio de existência que não
lhe convém, a partir do momento em que passa a ser utilizada pela indústria e
fica poluída por corantes e outros desperdícios, a partir do momento em que o
rio é percorrido por barcos a vapor ou em que o seu curso é desviado para
canais onde é possível privar o peixe do seu meio de existência pelo simples
ato de cortar a água. Declarar que todas as contradições deste gênero são meras
anomalias inevitáveis não difere de modo algum da consolação que São Stirner
oferece aos insatisfeitos quando lhes declara que esta contradição lhes é
intrínseca, que esta má situação é necessariamente a que lhes corresponde,
concluindo que não lhes compete protestar mas sim guardar para si mesmos a sua
indignação ou revoltarem-se contra a sua sorte mas de uma forma mítica.[3]
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