Proteção de todos os tipos de propriedade
privada.
Diretriz 3ª: A propriedade privada tanto dos
trabalhadores quanto a dos capitalistas deve ser protegida por lei e
efetivamente respeitada;
No
início deste trabalho foi demonstrado o lado positivo da propriedade privada
assim como sua evolução desde o direito romano.
Outros
aspectos positivos da propriedade privada é a garantia de privacidade e
liberdade por parte das pessoas.
Embora
a possibilidade de acumulação através da moeda gere desigualdades como
defendida por LOCKE, o lado positivo por outro lado é a liberdade de dispor do
objeto protegido pelo instituto da propriedade assim que desejar o
proprietário.
Este
instituto geralmente fora utilizado e defendido pelas classes mais ricas que
sempre possuíram os meios de adquiri-la.
Mas
com a evolução da classe trabalhadora muitos teriam condições, se essas fossem
criadas e mantidas, de adquirir o próprio posto de trabalho.
Entendemos
que proteger o trabalhador com o instituto da propriedade seria uma das maiores
conquistas, e talvez seja a mais difícil de todas e a que melhor traria
efetivamente dignidade ao trabalhador por trazer tranquilidade, liberdade e
estabilidade.
Por
isso, ao contrário do comunismo que defendia o fim da propriedade igualando
todos à força, entendemos que o melhor é a extensão da propriedade também para
os postos de trabalho, para que não só as classes mais ricas estejam
protegidas, mas também para os que vendem sua força de trabalho.
A
própria força de trabalho é passível de ser vendida, mas nada impede que essa
venda se faça de uma forma mais humana, mais estável e com mais dignidade para
a pessoa humana.
O
homem tem um aspecto econômico forte, o chamado homo economicus, ele pode ser utilizado para o trabalho, ou
explorado como dizem os marxistas, mas a tendência mundial é cada vez mais
respeitar os trabalhadores como pessoas e seres humanos sem isolar os outros
aspectos como o social, o político, biológico, psicológico, ético entre outros.
O
capitalismo atual não pode continuar com o cinismo de tratar os consumidores
como “reis”, e os trabalhadores como párias, quando na verdade os
consumidores/trabalhadores são em grande parte as mesmas pessoas.
Portanto
garantir a propriedade privada dos ricos é tão importante em nossa opinião
quanto defender a dos trabalhadores nessa modalidade de proteger o posto de
trabalho com o instituto da propriedade garantido por um título de propriedade
amparado nas leis civis.
É
interessante destacar um aspecto importante dos que poderiam ser contrários a
tese da propriedade do posto de trabalho pelos próprios trabalhadores.
Um
argumento que poderia ser utilizado é o de que a relação capital-trabalho ou
empregador-empregado é uma relação econômica-social e legal muito pessoal.
Os
capitalistas obviamente não vão querer perder o poder diretivo das próprias
empresas em relação a quem entra e sai dos postos de trabalho.
Seria
uma verdadeira revolução nas teorias da administração de empresas e dos
recursos humanos, pois os capitalistas perderiam o controle em parte da
mão-de-obra.
Mas
se formos analisar do lado do capital, ele já é bastante impessoal. Em empresas
listadas em bolsa, por exemplo, de capital aberto os investidores de capital
muitas vezes nunca chegam a conhecer os trabalhadores da empresa de onde
realizam os investimentos.
Para
a transformação do posto de trabalho em propriedade, muitos paradigmas devem
ser quebrados antes e este talvez, seja o mais forte.
Mas
como dito antes na analogia que MARX fez do peixe em relação à água, o peixe
(trabalhadores) podem entender que a instabilidade faz parte de sua essência
(água poluída), ou podem se rebelar contra esse fato que com certeza não seria
aceito de pronto e nem docilmente por parte dos detentores do capital que
perderiam obviamente um poder grande sobre a “sua” mão-de-obra.
Esse
conflito necessitaria de muita reflexão filosófica em saber se realmente os
trabalhadores pertencem as suas empresas como propriedades particulares, ou se
devem ser livres para comprar e vender seus postos de trabalho.
Contra
esse argumento de que as relações entre o capital-trabalho são pessoais,
existem também vários mecanismos que possibilitariam aos empregadores
selecionar pelo menos com critérios mais objetivos ou humanos sua força de
trabalho.
Seria
a realização de concursos aliados a compra do posto de trabalho. Desta maneira
para comprar uma determinada vaga o futuro trabalhador além de ter capital
poderia ser obrigado a fazer um concurso de pré-admissão e ainda ter outros
requisitos só que mais objetivos.
Portanto
mesmo com a compra e venda os empresários ainda poderiam possuir outros
mecanismos para medir a possível eficiência técnica de seus empregados, só que
com critérios mais claros e objetivos.
O
capitalismo trabalhista e a propriedade privada do emprego trariam mais
objetividade de critérios nas seleções de trabalhadores e deixaria de ser uma
área quase que dominada por razões subjetivas dos empregadores como é
atualmente não só no Brasil, mas, em todo o mundo onde os mais bizarros
critérios de seleções são utilizados levando muitos trabalhadores ao
constrangimento e a insegurança quanto em relação o que deveria passar para
conquistar uma vaga quando não os abusos cometidos após que o trabalhador entra
para a vaga ou posto de trabalho.
A
liberdade hoje está do lado do capital, mas nada impede que a liberdade esteja
do lado dos trabalhadores e depende apenas deles evoluírem, lutarem para que
seus direitos sejam reconhecidos ou continuarem sofrendo a angústia da
instabilidade.
Depende
apenas da classe proletária mundial conquistar essa liberdade, ou continuar
instável em seus postos de trabalho aceitando a situação deplorável atual como
realidade estática e inerente em suas vidas assim como muitos escravos e servos
tiveram que “aceitar” em suas épocas as várias restrições a liberdade como algo
natural como o ar que respiram.
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