segunda-feira, 29 de julho de 2013

11.7 Diretriz 7ª: Estado Supranacional


Reforço de um Estado Mundial.

Diretriz 7ª: Os países devem abrir mão de suas liberdades de ação internacional em nome da paz mundial e em reforço da ONU (Organização das Nações Unidas) e um Estado Supranacional para evitar guerras e conflitos por recursos naturais, ideologias, religiosas ou quaisquer outras formas de desestabilização que degradam a vida humana além do reforço da igualdade de sexos, e respeito a opção sexual, cor ou raça, pessoas com deficiência entre outras discriminações;

Atualmente o mundo vive sob a hegemonia de um único país os Estados Unidos da América e sob certa forma uma política imperialista de imposição da vontade através do poder político, militar (hardpower), científico e cultural (softpower) conhecido que se tornou um movimento unipolar após a bipolaridade da política mundial da guerra fria.
A concentração de poder desse país e principalmente após a intervenção da guerra do Iraque sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU demonstrou que a maior potência militar, econômica, política e cultural do planeta demonstram estar dando sinais de uma continuidade de uma política unilateral que pretende se estender infinitamente.
Esse poder ilimitado dos Estados Unidos da América tem ao mesmo tempo contribuído para a estabilidade do mundo pós-moderno quanto sendo um fator de desestabilização política mundial muito forte.
Como observa JOSEPH S. NYE[1] em seu livro “O FUTURO DO PODER”:

“Preponderância não é império ou hegemonia. Os Estados Unidos podem influenciar, mas não controlar, outras partes do mundo. O poder sempre depende do contexto, e, no contexto das relações transnacionais (como a mudança climática, drogas ilegais, pandemias e terrorismo), o poder é difuso e caoticamente distribuído. O poder militar é uma pequena parte da solução na resposta a essas novas ameaças. Essas soluções requerem cooperação entre governos e instituições internacionais. Mesmo no tabuleiro do alto (em que a América representa quase a metade dos gastos de defesa do mundo), suas forças armadas são supremas nos bens comuns globais do ar, do mar e do espaço, mas muito mais limitadas em sua capacidade para controlar populações nacionalistas em áreas ocupadas. Como observa Richard Haass: Embora os Estados Unidos continuem sendo o país mais poderoso do mundo, não podem manter sozinhos, que dirá expandir, a paz e a prosperidade internacionais”. O sucesso requer parceiros, e isso significa manter antigas alianças e também desenvolver novas redes que envolvam poderes emergentes como a China, a Índia e o Brasil.”

Há uma crescente demanda mundial por mais respeito a um poder político mundial mais democrático e menos impositivo.
Portanto um dos maiores desafios em escala mundial é trazer mais equilíbrio político e o maior reforço de instituições como a ONU, OMC, OIT entre outras que são o atual contraponto político para proteger os cidadãos de todo o mundo contra as práticas nocivas da globalização.
Isso exige aos países um maior reforço das instituições mundiais e certa concessão de poder a estes órgãos.
Não só os países desenvolvidos como os emergentes como o Brasil também possuem dificuldades em aceitar essa delegação maior de poder para instituições como a ONU.
Há uma tendência de maior cooperação internacional em épocas de crises e momentos pós-guerra. Em períodos de paz a tendência é de maior confrontação de interesses e os países ficam menos receptivos a trabalharem unidos.
Mas, seria interessante a busca de uma maior democracia internacional de países ao invés do modelo atual de concentração ilimitada de poder que causa muita instabilidade mundial.
O mundo atual está com uma tendência de usar a força ao invés do diálogo não somente na política internacional, mas também nos confrontos religiosos e principalmente entre as religiões abraamicas: judaísmo, cristianismo e islamismo.
Uma ideologia moderna não poderia pregar o fim das religiões como o comunismo, mas sim o respeito mútuo entre elas e a convivência pacífica entre elas a exemplo do que já ocorre no Brasil (há ressalvas), mas que de certa forma nos últimos anos vem se degradando também.
A aceitação as diferenças é um traço marcante da política e diplomacia brasileira que nos leva a afirmar a paz ao invés da guerra como uma melhor posição ideológica.
O capitalismo trabalhista como ideologia poderia pregar também além da conciliação entre as religiões, mas também a igualdade dos sexos, entre homens e mulheres e a igualdade em relação à opção sexual entre heterosexuais e homossexuais e teístas e ateus.
As gerações mais modernas são menos radicalizadas e mais globalizadas e em grande parte não aceitam os mesmos embates antigos entre as ideologias.
Mas o capitalismo trabalhista não seria uma ideologia anti-americana ou pró-americana. A constatação de que os EUA constituem um poder global e com traços imperialistas é um fato político indiscutível dos tempos atuais e muitas vezes omitidos por alguns.
O fato é que muitos americanos também poderiam ser capitalistas trabalhistas, pois, também há nos EUA aqueles que são contra uma hegemonia americana sem limites e sem respeito ao direito internacional e a comunidade internacional, ao meio ambiente e também aqueles que gostariam de ter mais estabilidade em seus postos de trabalho.
Embora o trabalhismo seja uma corrente mais forte em países como o Brasil, nada impede que outros países também façam experiências, e caso elas demonstrassem ser um mecanismo eficiente também do ponto de vista econômico e não somente social expandi-la para outros países se for o caso.



[1] NYE, Joseph S. O futuro do poder. São Paulo: Benvirá, 2012.

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