segunda-feira, 29 de julho de 2013

11.5 Diretriz 5ª: Equilíbrio ideológico.


Equilíbrio entre forças.

Diretriz 5ª: Deve haver equilíbrio entre o público e o privado, entre o capital e o trabalho entre a liberdade e a igualdade;

O Capitalismo Trabalhista como é proposto seria uma ideologia de centro.
Para entender o significado dessa expressão é preciso uma pequena análise sobre a velha dicotomia entre esquerda e direita que é estudada brilhantemente por GUIDDENS E BOBBIO.
 PEDRO GUSTAVO DE SOUZA E SILVA em artigo “Direita e Esquerda: contribuições de Bobbio e Giddens para o debate político”. Sobre essa polarização política SILVA escreve:
[...] Dentre a avalanche de argumentos utilizados para desqualificar a permanência da díade, Bobbio expõe primeiro os secundários: crise das ideologias; a complexidade das sociedades democráticas; o surgimento de movimentos e problemas que não se enquadram no esquema tradicional (Direita - Esquerda). Bobbio responde à primeira objeção da seguinte forma: “(...) não há nada mais ideológico do que a afirmação de que as ideologias estão em crise. E depois, esquerda e direita não indicam apenas ideologias” (BOBBIO, 2001, p.51). Os dois termos são encarados como programas contrapostos de idéias, interesses e de valorações a respeito da direção a ser seguida pela sociedade. Quanto à opinião da complexidade da sociedade tornar inadequada a existência de apenas duas partes contrapostas no universo político, o autor diz que a distinção direita e esquerda não exclui posições intermediárias. Prova disso é o “centro” ou também denominado de Terceiro Incluído; há ainda o Terceiro Inclusivo. O Terceiro Incluído busca um espaço entre dois opostos; não é nem de direita nem de esquerda, mas está entre uma e outra. O Terceiro Inclusivo tende a ir além dos dois opostos e a englobá-los numa síntese superior. Segundo Bobbio, o Terceiro Inclusivo apresenta-se normalmente como uma tentativa de Terceira Via no debate político; uma doutrina em busca de uma práxis. Podemos enquadrar a proposta de Giddens nessa categoria de Terceiro Inclusivo, pois o sociólogo inglês propõe na obra Para Além da Esquerda e da Direita uma “política radical reconstituída, que recorra ao conservadorismo filosófico mas que preserve alguns dos valores centrais que até agora estiveram associados ao pensamento socialista”. Portanto, a pretensão de Giddens é elaborar uma síntese dos opostos. A terceira razão posta para rejeitar a díade se apóia no surgimento de um Terceiro Transversal, mostrando o caso dos Verdes como um movimento que atravessa os dois campos. Os Verdes, diz Bobbio, não tornam anacrônica a velha díade, mas sim tendem a se redividir em novas versões dos dois pólos.[1]

SILVA cita que BOBBIO entende os “verdes” como um dos atuais representantes dessa tendência centrista da política mundial e o chama de “Terceiro Transversal”.
Um dos princípios do programa do Partido Verde do Brasil, por exemplo, está escrito:
[...] 4. O PV não se aprisiona na estreita polarização esquerda versus direita. Situa-se à frente. Está aberto ao diálogo como todas as demais forças políticas com o objetivo de levar à prática as propostas e programas verdes. O PV identifica-se com o ideário de esquerda no compromisso com as aspirações da grande maioria trabalhadora da população e na solidariedade com todos os setores excluídos, oprimidos e discriminados. Defende a redistribuição da renda, a justiça social, o papel regulador e protetor do poder público em relação aos desfavorecidos e os interesses da maioria dos cidadãos, não só diante do poder econômico, como dos privilégios corporativistas. Mas não segue os cânones da esquerda tradicional, da mesma forma com que questiona a hegemonia neoliberal, duas vertentes do paradigma produtivista do século XIX. Os verdes buscam na ecologia política novos caminhos para os problemas do planeta. [...][2]

Portanto o capitalismo trabalhista não estaria sozinho nessa questão de posição ideológica.
Se pudéssemos denominar de “centrismo” essa nova posição, ela não seria algo vazia de fundamentos reais, mas pelo contrário como já afirmado antes, já parte de uma realidade política mundial bem visível e que ganha cada vez mais força.
Seguindo a definição de BOBBIO poderíamos caracterizar o capitalismo trabalhista como parte de um “terceiro transversal”.
Em relação ainda a essa dicotomia, SILVA resume de forma bastante positiva a visão de BOBBIO em relação a questão da igualdade na visão ideológica de esquerda e direita:
[...] O cerne da obra consiste na defesa da legitimidade do par esquerda e direita. Tal intuito passa pela exposição de um critério que diferencie as partes e o escolhido por Bobbio é a atitude diante da igualdade. Fala o autor: “(...) de um lado estão aqueles que consideram que os homens são mais iguais que desiguais, de outro os que consideram que são mais desiguais que iguais” (BOBBIO, 2001, p. 121). Esse contraste é complementado por outro: a esquerda acredita que a maior parte das desigualdades é social e, enquanto tal, eliminável; a direita acha que a maior parte delas é natural e portanto ineliminável. É válido ressaltar o caráter relativo do conceito de igualdade, sendo submetido a três variáveis: igualdade entre quem, em relação a que e com base em quais critérios. Uma enorme variedade de tipos de repartições igualitárias pode ser obtida com a combinação destas três variáveis. Bobbio aproveita o tópico para diferenciar a doutrina igualitária do igualitarismo. Para ser de esquerda não é preciso proclamar o princípio da “igualdade de todos em tudo”. Em outras palavras, afirmar que a esquerda é igualitária não quer dizer que ela também é igualitarista. Um movimento inspirado pela doutrina igualitária tende a reduzir as desigualdades sociais e a tornar menos penosas as desigualdades naturais. O igualitarismo defende a idéia de que todos os homens devem ser iguais em tudo, independentemente de qualquer critério discriminador. Bobbio considera o igualitarismo uma visão utópica. (Grifo nosso).
Concordamos com a visão de BOBBIO de que o igualitarismo é uma visão utópica.
As diferenças sejam sociais, econômicas, políticas são frutos da democracia, do livre-mercado, da diferença natural e até biopsíquicas das pessoas em sociedade.
Desta maneira o capitalismo trabalhista seria menos utópico que o comunismo no sentido de que não prega a igualdade forçada das pessoas e que foi em nossa opinião uma das principais razões de seu insucesso.
Ainda que, por exemplo, no caso do capitalismo trabalhista os postos de trabalho fossem postos a venda, por variadas razões muitos não poderia ser comprada por todos os trabalhadores.
Por isso o capitalismo trabalhista não prega a igualdade de todos os trabalhadores por entender que isso seria uma utopia aos moldes do igualitarismo apontado por BOBBIO.
Em relação à dicotomia público-privado a posição centrista também parece ser a melhor solução.
Com a crise européia do ano de 2010, iniciada com a crise Grega, e também com a passada que se deu nos EUA em 2008, um outro modelo foi posto em cheque pelos mercados mundiais e setor financeiro que foi justamente o modelo sugerido por GIDDENS da social-democracia
Na economia há o embate feroz entre os liberais seguidores de ADAM SMITH e os intervencionistas liderados por KEYNES.
Nesse embate ideológico surgem muitas dúvidas. Com os pacotes bilionários de socorro aos mercados muitos investidores se deram conta que o modelo keynesiano de maior intervenção na economia tem limites claros que é o endividamento dos países e da renda dos países.
Muitos países ricos propuseram a não existência de limites em seus endividamentos públicos por entender que eram úteis ao desenvolvimento.
Ocorre que nessas crises países com endividamento equilibrado como o Brasil se saíram melhor do que a desconfiança dos investidores nos países com alto endividamento e déficits.
Por causa deste fato econômico, alguns chegaram a falar sobre a crise de ideologias econômicas, pois o intervencionismo sem limites nos endividamentos e déficits trouxeram consigo a crise de confiança na capacidade de solvência dos países colocando por terra as teses keynesianas de que o endividamento público é uma saída para reativar a economia dos países.
Portanto há um limite claro da capacidade dos países em gerar bem-estar a seus cidadãos que realmente deve ser respeitada sob o risco de levar literalmente os países a falência.
Os Estados não podem gerar bem estar sem se endividarem e sem cobrarem impostos da população.
Daí essa diretriz de equilíbrio entre o público-privado ser um importante instrumento de políticas mais eficazes de centro.
Mas por outro lado não é justo o Estado abandonar a própria sorte os mais necessitados, daí a necessidade de programas sociais também.
Na questão da dicotomia capital-trabalho ocorre o mesmo problema, não há como dar liberdade demais a um lado sem ferir a liberdade da outra parte.
Entendemos que qualquer ideologia que tenha por objetivo ser sustentável a longo-prazo, tanto politicamente, economicamente quanto socialmente deve respeitar esse equilíbrio entre o privado-público, liberdade-igualdade e entre o capital-trabalho.



[1] http://www.urutagua.uem.br/010/10silva_pedro.htm < acesso em 31.05.10 > Direita e Esquerda: contribuições de Bobbio e Guiddens para o debate político. Pedro Gustavo de Souza Silva. Revista Urutaguá 10 ago/set/out/nov. revista acadêmica multidisciplinar – Departamento Ciências Sociais – Universidade Estadual de Maringá – ISSN 1519.6178

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